Pensei sem querer… e fiquei viciado.

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Sem Título

by beatnthink

Digito e apago. Como se nunca tivesse feito isso antes. Não seria como andar de bicicleta, então? Para onde vai o estilo depois de tantos anos?

Desenrolo os nós dos dedos. O apego pelo clichê continua intacto. Estralo-os como alguém que não está acostumado a estralar partes do seu corpo. Digito e apago novamente.  Será que ainda é possível?

O coração chega a vacilar entre taquicardia e um dorzinha ali no fundo. Da dor que não conseguiu sair pro papel, existe ainda o resquício de tantas. Sombras. Sobras.

Olho pras sobras do macarrão ao meu lado. Sobras. Sobras. Era isso que eu chamava de estilo?

 

Sair de mim pra me encontrar. Era isso que eu chamava de estilo.

 

 

das confissões que fazemos para o travesseiro

by beatnthink

Das oportunidades que perdi, de trampo, de viagens incríveis, de coisa pra caralho – acho que perder a oportunidade de estar com você é a que mais me deixa enlouquecida. Luto. Luto contra o destino, contra o universo – e contra a própria vida – tentando manter a porta aberta. Mas nem o destino, muito menos o universo concordam com isso. E a vida segue, porque é assim que ela funciona.
Não há volta. Como tantas outras oportunidades, você também soube passar.
Mas eu ainda não sei. 

tico-teco de boteco

by beatnthink

Hmmmm. Vamo vê…

Vou querer aquele porção de batata doce, a de sempre…. E tu já pediu pra comprarem aquela cachacinha de jambu?

Eita, rapaz! Tu tá falando sério? Te falei dela semana passada, retrasada, entre tantas…

Não chegou ainda? Oloco, que coisa triste.

Bom… Então me vê aí uma prosa tão leve quanto o beijo dele.

Sobre como alguns namoros nunca acabam.

by beatnthink

o amor nunca foi um problema

tendo em vista que era de um tanto

que até fiz esse poema

 

saudade que vem e bate

feito pênalti, feito vontade

acabando com as rimas

ficando o carinho

por aquela linda mulher

porto alegre

Fim de Namoro.

by beatnthink

Tão charmosa e distante, de uma boemía pálida cheirando a cerveja artesanal, orgulho e julgamentos, nas suas linhas retas e curvas sutis, aspirei Buenos Aires.

Te olhei de soslaio no inverno, te revi numa primavera sentada no bar tomando Polar e falando da vida, mas foi o sol forte do verão que me disse “vai, que ela te espera há tempo demais”.

E eu que sou de ir, fui.

Me vi encantada, enamorada e completa. Deitei nos seus braços de mil promessas, falas bonita de sonhos, e beijei sua boca manchada de vinho – a fumaça do seu cigarro que até hoje não sei de que era, formava sensibilidade e delicadeza no ar -, sua língua passando pelo corpo e esquentando a minha alma, e suas mãos frias de inverno e quentes de verão me tocando enquanto arte escorria de nós. Cheias de Tesão.

Um namoro como muitos… De começos onde as risadas são mais risadas, e os beijos são tantos que parecem poucos, e onde se aceita até aquilo que desconhece e abre-se para novos limites – porque dizem as más línguas, a paixão faz isso. E todas as sensações sendo minadas quando suas ruas cheias de vida e suas falas gentis foram ficando cada vez mais intocáveis e distantes. Eu tentava te ouvir, mas só escutava barulho de trânsito palavrão 5 tiros no breu.

Ainda assim, por insistência de apaixonada, eu queria desbravar seus centros, seus seios e escorregar pelas suas pernas, seus becos mais escuros, seus bares e botecos. Pedia simplicidade quando te via complexa, pedia calma quando te via violenta. Em troca você pediu meu tempo, meus dias, minhas horas. Pediu simplicidade quando me via violenta, pediu calma quando me via complexa.

Não demorou muito para que deixássemos de nos ver todos os dias, e no quarto de noite, olhando pela janela eu escrevesse:

“Porto Alegre rima
rima com solidão

Suas pessoas frias
com roupas coloridas
e armas na mão.”

O namoro acabou no inverno. Dois anos depois que me apaixonei por você. Acabou cheio de experiências incríveis, terríveis, mágoas e saudades. Você terminou comigo pois sabia que eu não aguentava mais. E eu terminei contigo na esperança de te achar linda de novo, em outro momento, em outra primavera

Porque depois de acabado o namoro, passado o tempo que for, espero sempre a oportunidade de ter uma recaída por seus muros desenhados, parques de domingos, músicos de rua e dias ensolarados.

E espero que possamos ser amigas, sem mágoas. Do tipo que se escrevem cartas e se visitam  vezenquando dizendo “comadre, tô cheia de trânsito insano e saudade de ti. Ah, guria! Vem pra cá! Eu prometo que não precisa tomar nem chimarrão, nem Polar… eu coloco a Heineken pra gelar, a pipa de cachaça tá no mesmo lugar, e tem aquele churrasco pra ti.”

Que assim seja.

 

 

Coceirinha de fazer uma prosa bonita um textão uma coisa que mexa com a alma com a vontade com a beleza de ser quem se está caso esteja.

by beatnthink

Ponto final.

sexta-feira

by beatnthink

É o bicho.

Mas então…

by beatnthink

Em um futuro presente irrefutável, um único ser, pertencente à espécie homo sapiens sapiens, mais conhecido como seres humanos, cuja população é de aproximadamente 7,3 bilhões de pessoas carentes e inseguras, catalogadas como uma das 8,7 milhões de espécies que vivem em um planeta Azul localizado no Sistema Solar composto por uma única estrela (o Sol) e mais 8 planetas e um planeta anão, em um dos braços espirais na periferia da Via Láctea que tem estimativamente 100 bilhões de estrelas, sendo que muitas delas são consideradas tão comuns quanto o Sol, vai olhar para o céu e pensar: o que diabos estou fazendo aqui? E porquê os bolinhos coloridos chamados cupcakes?

Muitas dessas pessoas acreditam que estão sendo observadas por seres de outro mundo, ou outra dimensão, que as ajudam ou prejudicam esporadicamente. Alguns afirmam que esses seres são deuses (ou um só Deus), extraterrestres, duendes, anjos, espíritos, influências astrológicas, ou a própria energia do universo. Outros acreditam que é uma grande mistura provável disso tudo. Vários acreditam na evolução biomolecular há tantos bilhões de anos e na seleção natural. Outros, como eu, ainda estão pensando em qualé a do cupcake?

As 7,3 bilhões de pessoas que vivem em um dos planetas do Sistema Solar, cercado por aproximadamente outros 100 bilhões de Sistemas possíveis, acreditam também, que seus problemas são os maiores e os mais significantes de todos. Acreditam que não existe vida além de suas próprias vidas, suas cabeças, e seus Egos, tendo bastante dificuldade de lidar com outras pessoas ou tocar acordeão.

Essas 7,3 bilhões de pessoas, apesar de não saberem lidar com outras pessoas (ou tocar acordeão), insistem em se relacionar (e substituir o acordeão por gaitas, violões e baterias), na tentativa desesperada de se sentirem menos sozinhas, carentes e inseguras. Mas ao perceberem, ou melhor, acharem que seus problemas são maiores do que os de todos os outros, não admitem que sejam menos carentes, menos inseguras ou menos sozinhas, tendo ainda muita dificuldade de lidar consigo mesmas, com os outros e tocar melodias complexas com seus instrumentos musicais.

Esses instrumentos musicais, produzidos aos montes por ano, também ficam de saco cheio desse papo todo, adorando o fato de que não precisam ser tocados para serem felizes, e não dão a mínima se estão bem expostos na vitrine de uma loja por um preço orbitante. Se pudessem falar, eu não tenho dúvidas de que diriam: “ah, sim claro, estou aqui simplesmente porque estou. hmm, hmmm, o Planeta Terra? não faço a mínima ideia. Não, não, somos todos de boa uns com os outros, por exceção do banjo, que é um metido. Ah… não. Não gostamos de cupcakes. Não sei porque inventaram isso”.

Sensibilidade II

by beatnthink

Carta futura.

“Eu permiti que você extravasasse meu corpo. E a minha alma. Eu me permiti te amar da maneira mais bonita que já amei alguém.
Em toda a sua complexidade, profundidade e magnitude. De extravasar seu corpo e a sua alma, ao permitir que você seja você mesmo.
Ao me permitir que eu seja eu mesma. E ao nos permitir que sejamos nós.”

Nó.

by beatnthink

Sei que tem algo tentando me confundir. Não sei se é você ou se sou eu. Só sei que hoje de manhã me peguei pensando nas suas palavras e elas me soaram ainda mais imagéticas e atrativas. Você exerce um certo poder gravitacional sobre mim, e eu só morro de vontade de orbitar a sua volta, perto de você. Parece ridículo colocado dessa maneira, e é ridículo. Mas a verdade por vezes assume tal figura insana, desvairada, tragicômica. É preciso aprender a rir em tempos de desespero.

Mas não é amor, não. No máximo um enorme tesão. Pateticamente instável. Não me dou ao trabalho de saber amar, você sabe. Sou previsivelmente superficial, e me afasto das pessoas antes que descubram o quanto sou desprezível. Você, meu bem, acabou descobrindo-me de noite, puxando lençóis e se esgueirando sobre o meu passado. Julgando meus atos, meus antigos amores, meus desenhos, minha arte. Um amor muito cristão para dois ateus.

Sou direto. Reto. Compulsivo pela racionalidade. Nada me preparou para você, para lidar com você, para te tornar compreensível ou melhor, para te tornar humana. Na minha mente ainda vives semideusa – quase sempre nua -, numa porra de um pedestal.

Uma merda. Eu nunca conseguirei te alcançar daqui. Nem que seja na ânsia furtiva de me encontrar novamente entre as suas pernas, minha língua nos seus lábios num beijo molhado e cheio de vontade. E a confusão se esgueirando pelo meu corpo enquanto você goza.

A confusão se esgueirando sempre, de você pra mim e pra você sendo sua de mim pra eu mesmo.

 

Gustavo Rosa.