Pensei sem querer… e fiquei viciado.

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tico-teco de boteco

by beatnthink

Hmmmm. Vamo vê…

Vou querer aquele porção de batata doce, a de sempre…. E tu já pediu pra comprarem aquela cachacinha de jambu?

Eita, rapaz! Tu tá falando sério? Te falei dela semana passada, retrasada, entre tantas…

Não chegou ainda? Oloco, que coisa triste.

Bom… Então me vê aí uma prosa tão leve quanto o beijo dele.

Sobre como alguns namoros nunca acabam.

by beatnthink

o amor nunca foi um problema

tendo em vista que era de um tanto

que até fiz esse poema

 

saudade que vem e bate

feito pênalti, feito vontade

acabando com as rimas

ficando o carinho

por aquela linda mulher

porto alegre

Fim de Namoro.

by beatnthink

Tão charmosa e distante, de uma boemía pálida cheirando a cerveja artesanal, orgulho e julgamentos, nas suas linhas retas e curvas sutis, aspirei Buenos Aires.

Te olhei de soslaio no inverno, te revi numa primavera sentada no bar tomando Polar e falando da vida, mas foi o sol forte do verão que me disse “vai, que ela te espera há tempo demais”.

E eu que sou de ir, fui.

Me vi encantada, enamorada e completa. Deitei nos seus braços de mil promessas, falas bonita de sonhos, e beijei sua boca manchada de vinho – a fumaça do seu cigarro que até hoje não sei de que era, formava sensibilidade e delicadeza no ar -, sua língua passando pelo corpo e esquentando a minha alma, e suas mãos frias de inverno e quentes de verão me tocando enquanto arte escorria de nós. Cheias de Tesão.

Um namoro como muitos… De começos onde as risadas são mais risadas, e os beijos são tantos que parecem poucos, e onde se aceita até aquilo que desconhece e abre-se para novos limites – porque dizem as más línguas, a paixão faz isso. E todas as sensações sendo minadas quando suas ruas cheias de vida e suas falas gentis foram ficando cada vez mais intocáveis e distantes. Eu tentava te ouvir, mas só escutava barulho de trânsito palavrão 5 tiros no breu.

Ainda assim, por insistência de apaixonada, eu queria desbravar seus centros, seus seios e escorregar pelas suas pernas, seus becos mais escuros, seus bares e botecos. Pedia simplicidade quando te via complexa, pedia calma quando te via violenta. Em troca você pediu meu tempo, meus dias, minhas horas. Pediu simplicidade quando me via violenta, pediu calma quando me via complexa.

Não demorou muito para que deixássemos de nos ver todos os dias, e no quarto de noite, olhando pela janela eu escrevesse:

“Porto Alegre rima
rima com solidão

Suas pessoas frias
com roupas coloridas
e armas na mão.”

O namoro acabou no inverno. Dois anos depois que me apaixonei por você. Acabou cheio de experiências incríveis, terríveis, mágoas e saudades. Você terminou comigo pois sabia que eu não aguentava mais. E eu terminei contigo na esperança de te achar linda de novo, em outro momento, em outra primavera

Porque depois de acabado o namoro, passado o tempo que for, espero sempre a oportunidade de ter uma recaída por seus muros desenhados, parques de domingos, músicos de rua e dias ensolarados.

E espero que possamos ser amigas, sem mágoas. Do tipo que se escrevem cartas e se visitam  vezenquando dizendo “comadre, tô cheia de trânsito insano e saudade de ti. Ah, guria! Vem pra cá! Eu prometo que não precisa tomar nem chimarrão, nem Polar… eu coloco a Heineken pra gelar, a pipa de cachaça tá no mesmo lugar, e tem aquele churrasco pra ti.”

Que assim seja.

 

 

Coceirinha de fazer uma prosa bonita um textão uma coisa que mexa com a alma com a vontade com a beleza de ser quem se está caso esteja.

by beatnthink

Ponto final.

sexta-feira

by beatnthink

É o bicho.

Mas então…

by beatnthink

Em um futuro presente irrefutável, um único ser, pertencente à espécie homo sapiens sapiens, mais conhecido como seres humanos, cuja população é de aproximadamente 7,3 bilhões de pessoas carentes e inseguras, catalogadas como uma das 8,7 milhões de espécies que vivem em um planeta Azul localizado no Sistema Solar composto por uma única estrela (o Sol) e mais 8 planetas e um planeta anão, em um dos braços espirais na periferia da Via Láctea que tem estimativamente 100 bilhões de estrelas, sendo que muitas delas são consideradas tão comuns quanto o Sol, vai olhar para o céu e pensar: o que diabos estou fazendo aqui? E porquê os bolinhos coloridos chamados cupcakes?

Muitas dessas pessoas acreditam que estão sendo observadas por seres de outro mundo, ou outra dimensão, que as ajudam ou prejudicam esporadicamente. Alguns afirmam que esses seres são deuses (ou um só Deus), extraterrestres, duendes, anjos, espíritos, influências astrológicas, ou a própria energia do universo. Outros acreditam que é uma grande mistura provável disso tudo. Vários acreditam na evolução biomolecular há tantos bilhões de anos e na seleção natural. Outros, como eu, ainda estão pensando em qualé a do cupcake?

As 7,3 bilhões de pessoas que vivem em um dos planetas do Sistema Solar, cercado por aproximadamente outros 100 bilhões de Sistemas possíveis, acreditam também, que seus problemas são os maiores e os mais significantes de todos. Acreditam que não existe vida além de suas próprias vidas, suas cabeças, e seus Egos, tendo bastante dificuldade de lidar com outras pessoas ou tocar acordeão.

Essas 7,3 bilhões de pessoas, apesar de não saberem lidar com outras pessoas (ou tocar acordeão), insistem em se relacionar (e substituir o acordeão por gaitas, violões e baterias), na tentativa desesperada de se sentirem menos sozinhas, carentes e inseguras. Mas ao perceberem, ou melhor, acharem que seus problemas são maiores do que os de todos os outros, não admitem que sejam menos carentes, menos inseguras ou menos sozinhas, tendo ainda muita dificuldade de lidar consigo mesmas, com os outros e tocar melodias complexas com seus instrumentos musicais.

Esses instrumentos musicais, produzidos aos montes por ano, também ficam de saco cheio desse papo todo, adorando o fato de que não precisam ser tocados para serem felizes, e não dão a mínima se estão bem expostos na vitrine de uma loja por um preço orbitante. Se pudessem falar, eu não tenho dúvidas de que diriam: “ah, sim claro, estou aqui simplesmente porque estou. hmm, hmmm, o Planeta Terra? não faço a mínima ideia. Não, não, somos todos de boa uns com os outros, por exceção do banjo, que é um metido. Ah… não. Não gostamos de cupcakes. Não sei porque inventaram isso”.

Sensibilidade II

by beatnthink

Carta futura.

“Eu permiti que você extravasasse meu corpo. E a minha alma. Eu me permiti te amar da maneira mais bonita que já amei alguém.
Em toda a sua complexidade, profundidade e magnitude. De extravasar seu corpo e a sua alma, ao permitir que você seja você mesmo.
Ao me permitir que eu seja eu mesma. E ao nos permitir que sejamos nós.”

Nó.

by beatnthink

Sei que tem algo tentando me confundir. Não sei se é você ou se sou eu. Só sei que hoje de manhã me peguei pensando nas suas palavras e elas me soaram ainda mais imagéticas e atrativas. Você exerce um certo poder gravitacional sobre mim, e eu só morro de vontade de orbitar a sua volta, perto de você. Parece ridículo colocado dessa maneira, e é ridículo. Mas a verdade por vezes assume tal figura insana, desvairada, tragicômica. É preciso aprender a rir em tempos de desespero.

Mas não é amor, não. No máximo um enorme tesão. Pateticamente instável. Não me dou ao trabalho de saber amar, você sabe. Sou previsivelmente superficial, e me afasto das pessoas antes que descubram o quanto sou desprezível. Você, meu bem, acabou descobrindo-me de noite, puxando lençóis e se esgueirando sobre o meu passado. Julgando meus atos, meus antigos amores, meus desenhos, minha arte. Um amor muito cristão para dois ateus.

Sou direto. Reto. Compulsivo pela racionalidade. Nada me preparou para você, para lidar com você, para te tornar compreensível ou melhor, para te tornar humana. Na minha mente ainda vives semideusa – quase sempre nua -, numa porra de um pedestal.

Uma merda. Eu nunca conseguirei te alcançar daqui. Nem que seja na ânsia furtiva de me encontrar novamente entre as suas pernas, minha língua nos seus lábios num beijo molhado e cheio de vontade. E a confusão se esgueirando pelo meu corpo enquanto você goza.

A confusão se esgueirando sempre, de você pra mim e pra você sendo sua de mim pra eu mesmo.

 

Gustavo Rosa. 

Paulo P.

by beatnthink

Começou o texto como costumava começar textos. Com o começo. O começo, na verdade, era relativamente simples. O mais complicado era dar sequência aos fatos que se encontravam em sua cabeça.
Seu nome? Paulo P. Signo? Isso realmente não importa. Idade: 17 anos. Sonhos: ser arquiteto bem sucedido; conhecer BB. King; pular de para-quedas; extinguir o novo acordo ortográfico que tirou o hífen de para-quedas.
Filme preferido: 500 dias com ela. Pior filme já visto: 500 dias com ela.

Não que precisasse se apresentar. Uma bio? Clichê de redes sociais. O orkut pelo menos era… bom, hoje em dia é mais interessante. Por quê? Ninguém vai lá.

– Me sinto como que andando por banners de pessoas na rua, mas elas não se mexem, nem se comunicam, são descartáveis, me sinto sozinho. Uma solidão boa, cercada de banners representativos.

Se pudesse recomeçar o texto, talvez fizesse algo poético. Talvez começasse dizendo algo como ‘meu amor por São Paulo morreu ao mesmo tempo que meu amor por você. enquanto andavamos pela Avenida Paulista, eu sentia o concreto desmoronando e uma tsunami de dejetos, pessoas mortas, carros e edifícios me esmagando. você tirava fotos com sua lomo Diana, Holga, sei lá, comprada as pressas em alguma loja da Augusta, depois de cortar seu cabelo como todas as meninas de hoje em dia, e eu só pensava em morrer. falavamos de arte urbana como se conhecêssemos, e você teimava em colocar no instagram as fotos das frases de efeito escritas no muro da cidade ‘existe amor em SP, mas e a liberdade?’. ao lado, mendigos nos pediam algo para comer, e saíamos de lá felizes por termos dado um real. mas até na nossa mesquinhez compulsivamente neo-libertária, nos consumíamos apreciando o acinzentado de São Paulo. como se fosse realmente bonito. como se fosse realmente importante. como se tivesse vida.’ Mas esse não era um bom começo, não. Esse estava mais para o final do texto. O começo era praticamente a mesma coisa, só que verdadeiramente colorido, leve, ou ao menos superficial o bastante para se disfarçar de novidade. O problema é a moda. A moda é ser blasé, não sentir nada concreto por ninguém, verdadeiro, mas amar a todos com corações em redes sociais. E caralho, eu sinto muito.

Nome: Paulo P. 17 anos. Sonho: passar no vestibular.

Cacos tristes.

by beatnthink

São Paulo, 20 de setembro de 2013.

Assumiu então tal envergadura meio lânguida e sofrida assim que colocou as roupas pela manhã. Acordada para a realidade do mundo, sentiu-se menos dentro daquela realidade do que dentro de um útero materno. Sua dificuldade em criar laços e intimidades com pessoas desconhecidas se desfazia na sua bolha íntima,  onde circulavam suas músicas indies, e onde poderia desfrutar de suas piadas internas em redes sociais e se afastar de qualquer coisa que soasse diferente daquilo que mantinha como ‘certo’. Paradoxos de uma mente que se auto denomina aberta, evoluída. Paradoxos do mundo moderno.

Vestida com sua máscara social cujos jeitos e trajeitos faziam reminiscências a um passado recente, entre modismos e a vontade de querer ser tal e qual pessoa, foi naquele dia, como nos outros, para sua faculdade frequentar um curso pago de Arte, na tentativa desesperada de se tornar artista. Afinal, poderia afirmar que tinha conteúdos intelectuais e sentimentos depressivos que a aproximavam do que ela, quizá, considerava uma imagem genial. Uma imagem cuja máscara de desinibição, a tornava outra pessoa, ou quem sabe? – ela defenderia – ela mesma. Um pouco menos genial, afinal, a palidez conveniente da morbidez soaria muito mais interessante combinada com jaquetas de couros, e caveirinhas, e botas compradas em brechós da Vila Madalena para serem usadas na Augusta. A genialidade desprovida de sentido, no entanto, tornava-se apenas insossa, sem-graça, sem sal, automaticamente fria, automaticamente dona da razão.

E a razão, senhores, é uma senhora medíocre assando cookies – cookies vegetarianos, cookies feministas – enquanto repudia qualquer mudança espalhafatosa na sua enfadonha figura lógica, descarta desesperadamente qualquer tentativa de contato passional com a loucura, sua amiga, sua ídola – aquela que ofusca sua luz natural, e a faz parecer tristonha aos olhos dos outros. A razão, senhores, anda capenga, mal distribuída e muito carente.